Historia

Um presente para quem ja tem tudo!

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O que é um ex-libris?

 Antes de mais nada, uma pequena obra de arte, um objeto carregado de emoção, um presente único e original, para você ou para alguém especial! Um Ex Libris personalizado além de demonstrar amor pelos livros, é um objeto pessoal que dura para a vida toda… Poucos presentes têm estas característica e custam tão pouco!

A expressão latina “ex-libris” ou “ex-bibliotheca”,  significa “dos livros de..” ou “da biblioteca de…”, ou ainda “livros dentre aqueles pertencentes a…” – determinada pessoa ou instituição.

A denominação ex-libris não é apenas dada a figuras estampadas em livros; também são chamados de ex-libris toda e qualquer marca de posse feita em uma obra, quer seja o nome do possuidor por escrito, à caneta; um sinal convencional; um símbolo; um brasão de armas; um monograma ou uma sequência de iniciais, carimbos diversos etc. em geral, no verso da primeira capa do livro ou numa das suas folhas de guarda.

Na sequencia deste artigo, você pode conhecer um pouco mais sobre esta arte e perceber o quanto ela é gratificante, para quem dá e para quem recebe!

Um pouquinho só de história:

O uso de marcas para identificar os livros remonta à antigüidade. Nas ruínas de Nínive, na Mesopotâmia, todas as placas de argila de um certo local eram identificadas pelo mesmo símbolo cuneiforme -o antepassado mais remoto conhecido das marcas usadas atualmente. Como forma de estampa isolada, tem seu aparecimento na Alemanha, na mesma época da invenção da tipografia, por volta de 1450.

Johannes Knabensberg

O primeiro exemplo (conhecido)  de ex-libris impresso contendo uma gravura simbólica é o de Johannes Knabensberg, também conhecido como Hans Igler (João Ouriço), gravado em madeira por W.L. Schuberg, representando um ouriço de perfil comendo flores silvestres.

Hildebrand Brandenburg

Também entre os mais antigos encontra-se o ex-libris de Giorgis de Podebrady (1455) e o de Hildebrand Brandenburg (1470). Na França o ex-libris aparece em 1529, o ex-libris de Jena Bertaud de la Tour-Brlanchet, na Inglaterra o ex-libris do Cardeal Wolsey, por volta de 1530, na Holanda em 1597, em libros de Ana van de Aa, na Itália, por volta de 1622, na América seria o ex-libris de John Cotton em 1674 e o de John Willians em 1679.

 No Brasil o movimento exlibrista vem de Portugal. Segundo alguns pesquisadores o primeiro brasileiro a ultilizar-se dessa forma de marcar os livros foi Manoel de Abreu Guimarães, Provedor da Santa Casa de Sabará e possuidor de uma vasta biblioteca, informação essa que é contestada por Rubens Borba de Moraes em sua obra Livros e Bibliotecas no Brasil Colonial, onde ele diz ser o Padre José Correia da Silva, morador também de Sabará, dono do ex-libris mais antigo usado por um brasileiro.

Barão do Rio Branco

Especial atenção aqui merece o do Barão do Rio Branco, pois este possuia um Ex Libris paisagístico bastante conhecido, onde se destaca, em primeiro plano, a pedra de Itapúca (Niterói) e, ao fundo, o Corcovado. Este Ex Libris é reconhecido como um dos mais antigos do Brasil. Além disto, o Barão também é considerado o primeiro colecionador deste assunto entre nós.

Como é um ex-libris?

É uma marca impressa por qualquer meio mecânico – de gravura impressa por meio de litografia ou off-set (permite maior detalhamento, porém tem custos altos), passando por carimbos (a melhor relação custo-benefício) e chegando à impressão digital (prático, porém com pouco apelo emocional), de forma e dimensões variadas, normalmente não ultrapassando um quarto de página. Geralmente apresentam a impressão em preto e raramente em cores, estes usualmente nos heráldicos. Traz o nome do proprietário e muitas vezes uma ilustração, com temas variados e freqüentemente de grande beleza artística.

Muitas vezes são encomendados a desenhistas; mais raramente, feitos pelo próprio dono. A imagem representada revela muito da mentalidade de seu possuidor e até mesmo do ambiente, mostrando os gostos e costumes de certa época, grupo social ou cultura.

 Por que usar um ex-libris?

Todos os que mantêm uma certa quantidade de livros, por prazer ou por obrigação, sentem em algum momento a necessidade de identificá-los. A maneira mais primária de fazer isso é assinar o nome a caneta no frontispício, hábito que subsiste entre muitos possuidores de bibliotecas, mas que desvaloriza o livro, além de enfeá-lo. Outros modos, como carimbos de tinta e marcas gravadas nas próprias encadernações, têm sido usados. O primeiro, geralmente apenas um nome inserido em um quadrado, é o mais utilizado em bibliotecas públicas ou escolares. O segundo aparece em algumas bibliotecas particulares, mas tem um custo sensivelmente elevado.

Dessa maneira, o ex-libris se apresenta como uma opção artística sofisticada, elegante e de preço relativamente baixo para marcar os livros de uma biblioteca pessoal. Além de mostrar a quem pertence determinado livro, sua presença realça o valor do volume pelo realce do valor artístico e pessoal da estampa. Há mesmo pessoas que colecionam ex-libris, ou seja, colecionando livros que os contenham. Uma destas, a coleção do Barão do Rio Branco ficou famosa em sua época.

Quais os tipos de ex-libris?

São cinco as categorias em que os estudiosos dividem os ex-libris:

  1.  Etiquetas: não trazem imagens além do nome do proprietário, e eventualmente espaço para números de catalogação.
  2. Armoriados ou heráldicos: quando o motivo principal do desenho consiste de brasões ou insígnias de indivíduos, famílias, cidades, associações etc.
  3. Simbólicos: quando trazem imagens que traduzem idéias, lemas de vida, ocupações etc., mas que não tenham caráter heráldico.
  4. Paisagísticos: quando reproduzem cenas rurais, urbanas, marinhas etc. ligadas afetivamente ao possuidor dos livros.
  5. Ameaças: quando traziam escritas ou desenhadas sugestões de punições a quem não devolvesse o livro ao seu dono.

Há, ainda, os ex-libris mistos, que podem ser enquadrados em mais de uma categoria.

Seu próprio Ex Libris

Assim, quem quiser ter o seu próprio ex libris terá primeiro que imaginá-lo e só depois é que irá procurar o artista para desenhá-lo. O Ex Libris deverá ser o “retrato” do seu dono, isto é, a sua marca de posse que represente suas crenças e/ou sua forma de vida.

Família Garcia-Pedott – Devolva logo; Sabemos quem tu és e onde moras.

É virtualmente infinita as possibilidades na concepção e construção de seu Ex Libris, dependendo apenas de algumas poucas condições técnicas e -principalmente- da imaginação do proprietário. Quanto aos materiais as possibilidades não são muitas (além da assinatura com Bic):

  • Gravura impressa em off-set: alto nível de detalhamento, mas de custo de produção elevado; aspecto industrial; necessita ser colado no livro;
  • Gravura tipográfica: bom nível de detalhamento, relevo, aspecto clássico; custo de produção elevado em função da matriz (clichê); necessita ser colado no livro; Necessita encontrar uma Tipografia…;
  • Gravura impressa em impressão digital:  alto nível de detalhamento,  custo de produção acessível; aspecto industrial, frio; necessita ser colado no livro;
  • Impressão xilográfica:  bom nível de detalhamento, relevo, aspecto clássico; custo de produção grandemente variável em função de que a matriz tem de ser feita manualmente, escavada em madeira por um artista; pode ser aplicado diretamente no livro, não necessitando colagem;
  • Estampa com matriz flexível:  bom nível de detalhamento, aspecto clássico, une os aspectos da tipografia e da xilogravura; custo de produção mínimo, melhor relação custo-benefício; pode ser aplicado diretamente no livro, não necessitando colagem;

Definições de Ex Libris

Segundo alguns autores portugueses, algumas definições de Ex Libris:

“Marca escrita ou desenhada que indica no princípio, no frontispício ou na guarda de um livro, a livraria ou a pessoa a quem pertence ou pertenceu esse livro”

J. Pedro Machado

“Ex-Libris é um indicativo de propriedade, uma marca de posse bibliográfica, que vai desde o nome do possuidor, manuscrito na capa, na folha-de-guarda ou nas primeiras folhas do volume,… de mais ou menos reduzidas dimensões, onde estão manuscritos ou impressos desenhos ou dizeres… gravados a ouro ou a seco…”

Armando de Mattos

“…é constituído por uma estampa (de desenho heráldico, alegórico, simbólico, ornamental ou falante) obtida de gravura mecânica ou artística, especificamente executada para o efeito, na qual tem de estar incluída a expressão portuguesa «Ex-Líbris (ou em portugues: Ex Libris de)» (ou qualquer outra equivalente: «Da Biblioteca de», «Dos livros de», «Este livro é de», etc.), seguida do nome (geralmente abreviado) do dono do livro. A composição desse ex-líbris deverá expressar claramente (se não for apenas heráldica) a maneira de ser do seu usuário, as suas tendências culturais e artísticas, as suas idéias e seus ideiais, bem como outros elementos que caracterizam a pessoa que use essa marca bibliotecária; mas todo esse desenho deve ser o mais singelo possível – para que não se torne num amontoado semiológico…”

Fausto Moreira Rato

Fontes:

http://bibliomanias.no.sapo.pt/ex-libris.htm

http://www.bazardaspalavras.com.br/exlibris.php

http://www.brasilcult.pro.br/ex_libris/texto.htm

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