Cartazes, Posters e Affiches (intro)

May 26th, 2008 Paulo Pedott

 

Uma das mais ricas formas de comunicação comercial gráfica de todos os tempos foram os cartazes (posters, affiches); desde a antiguidade, esta forma de divulgação é utilizada pra comunicar de tudo, desde idéias políticas até divulgação de marcas, produtos e serviços.

Dos afrescos das paredes de Pompéia até os Outdoors envelopados de vinil dos dias de hoje, aconteceu um bocado de coisa nesta mídia.

 

França – 1930 – Le Monnier
Cores saturadas e tipos no estilo Art-Dèco: Seja bem vindo aos cartazes do início do século XX.

Com o advento da litogravura no final do século XIX, a cor (nas reproduções seriadas) começa a dominar este meio e seu mais conhecido autor nesta época, é o francês Henry de Toulouse Lautrec, geralmente aceito como o desencadeador do uso comercial da mídia cartaz. Mais conhecido por seus trabalhos para casas de espetáculos parisienses, ele também produziu materiais de divulgação para exposições, feiras e restaurantes.

Um dos meus períodos favoritos nesta mídia são as primeiras décadas do século XX, onde Alemanha, França e União Soviética reinventaram a arte(?) dos Cartazes.

Nomes como A.M. (Adolphe Mouron) Cassandre, Alexandr Rodchenko, El Lissitzky e Rudi Erdt levaram a mídia cartaz a um patamar de qualidade que encontra muito pouco eco nos dias de hoje.

Cartazes da área da alimentação das décadas de 1920 e 1930 estão entre os mais interessantes por sua saturação cromática, ja cartazes da área turística deste período se caracterizam por tons bem mais suaves (embora isto não seja uma regra).

 

EUA – Data desconhecida (contemporâneo) – Steve Forney;
Note a saturação das cores. Tipologia em estilo Art-Dèco e uma composição equilibrada com os dois minaretes emoldurando o assunto principal. Note que a composição é predominantemente estática e que a figura humana não apresenta expressões faciais, transferindo a força da mensagem para o único elemento que denota algum movimento, a “fumaça” proveniente das xícaras de café. poderia ter sido criado nos anos 1930.

França, 1959, Hervé Morvan;

Penúltima evolução dos cartazes para o produto Banania, um pó de banana, chocolate e açucar criado por volta de 1912, selecionei este exemplo em função dester manter a idéia base dos cartazes Franco-Italianos dos anos 1920 e 1930: Uma imagem = uma idéia; aqui mais informação sobre o produto e a evolução de sua comunicação;

França, data desconhecida, Rudd (?)
Cartaz com ilustração complexa, detalhada, semi-realista, característica do estilo que eu chamo de Provençal, fartamente encontrado em cartazes Franceses no início do séc. XX

França, 1937
Curioso exemplo de cartaz que, misturando características dos cartazes Art-Dèco de produtos com cores surpreendentemente suaves de cartazes de turismo (particularmente suíços), o resultado aqui faz uma referência bastante tênue à esperada dinamicidade e velocidade de uma corrida, da qual se espera emoções fortes e, consequentemente, cores bem mais saturadas.

França, 1906, Leonetto Cappiello
Um dos mestres do cartaz, o italiano Cappiello flertou com diversos estilos, indo de trabalhos claramente inspirados no trabalho de Toulouse Lautrec, tangenciando o estilo Art-Dèco até finalmente se fixar em seu estilo próprio, caracterizado por uso de formas caricaturais e sempre com intensa saturação cromática, como o exemplo acima do Cognac Albert Robin.

França, 1999, Razzia
Um dos poucos mestres do cartaz contemporâneos, o francês Razzia tem um eclético talento que faz com que sua obra viaje desde o Art-Dèco, passando por releituras do Construtivismo Soviético e indo até o Pós Modernismo ou New Wave aqui o web site do artista, com exemplos de seus trabalhos.

França, data desconhecida, M. Tangry
Clássico exemplo de um estilo “Turístico”, paisagens idílicas, clima ameno e cores saturadas. O turismo na Europa a partir do início da decada de 1920 teve um grande crescimento devido aos avanços nos meios de transportes e comunicações, permitindo que um contigente maior de pessoas passassem a se deslocar, gerando ou fortalecendo uma incipiente indústria turística. Daí a profusão de cartazes turísticos nesta época. Aqui alguns exemplos.

França, data desconhecida, Bernard Villemot
Cores saturadas, uma imagem=uma idéia, neste exemplo, estas características ficam evidente na tradição dos cartazes de produtos alimentícios.

França, 1935, Noel Saunier
Semelhante em idéia ao primeiro cartaz aqui comentado, (apesar das cores serem menos abertas) este cartaz traz o mesmo conceito daquele é não seria de se espantar que o segundo tivesse inspirado o primeiro.

França, 1935, A.M. Cassandre
Talvez o mais famoso dos Mestres do Cartaz, o francês Adolphe Mouron Cassandre (1901-1968) tem uma representativa obra em cartazes com uma característica: ele nunca se afastou do estilo Art-Dèco, quer seja em seus trabalhos para a indústria de bebidas/alimentos quer para a indústria do turismo, suas principais áreas de atuação profissional. Notável tipógrafo, criou, entre outros, o tipo Peignot, que curiosamente não é facilmente encontrado em seus cartazes.

Brasil, 2007, Paulo Pedott
Estudo sobre obras de A.M. Cassandre.

Fontes:

http://www.gfxworld.org/

http://www.vintageposterworks.com/

http://www.internationalposter.com/

Colaboração:
Jean Carlos da Silva (http://updc.blogspot.com)

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