{"id":3608,"date":"2013-05-04T16:57:14","date_gmt":"2013-05-04T16:57:14","guid":{"rendered":"http:\/\/paulopedott.com\/paulo\/?p=3608"},"modified":"2013-05-04T16:57:14","modified_gmt":"2013-05-04T16:57:14","slug":"para-ler-e-refletir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/?p=3608","title":{"rendered":"Para ler e refletir&#8230;"},"content":{"rendered":"<h1>Querem frear o Brasil<\/h1>\n<p>Postado em mai 3, 2013 em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ramaral.org\/?p=4396\">http:\/\/www.ramaral.org\/?p=4396<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"margin: 5px; border: 5px solid black;\" alt=\"aba\" src=\"http:\/\/www.ramaral.org\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/aba-300x188.png\" width=\"300\" height=\"188\" \/>Diz-nos o Sr. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, que\u00a0\u201cA sa\u00edda\u00a0[da \u2018crise\u2019]\u00a0\u00e9 frear a economia. \u00c9 demitir mesmo\u201d.Dizem os \u2018economistas\u2019 midi\u00e1ticos, catados a dedo pelos jornal\u00f5es para confirmarem seus editoriais, que, \u2018com esse n\u00edvel de emprego\u2019 (e a\u00ed repousa o cerne da hist\u00f3ria), a infla\u00e7\u00e3o vem a galope, e se \u00e9 assim, \u00a0a \u00fanica coisa a fazer \u00e9 subir os juros e \u00a0promover o desemprego\u00a0 para que o consumo caia. Ou seja, desmontar a pol\u00edtica que reduziu os efeitos da crise do capitalismo internacional e realizou a mais importante distribui\u00e7\u00e3o de renda conhecida entre n\u00f3s. Demitir, afastar de vez a \u2018amea\u00e7a\u2019 do pleno emprego com que sonha a sociedade sadia. Esta \u00e9 a p\u00e9rola do pensamento neoliberal, reduzindo a vida da na\u00e7\u00e3o aos seus \u00edndices macroecon\u00f4micos, gasto p\u00fablico, juros, infla\u00e7\u00e3o etc., donde o aumento da taxa de juros real, produzindo menor taxa de infla\u00e7\u00e3o, menor PIB e maior desemprego.\u00a0 Com esse programa recessivo os economistas midi\u00e1ticos v\u00e3o ao orgasmo. Povo, como dizia a desterrada Z\u00e9lia, \u00e9 apenas um \u2018detalhe\u2019, a pol\u00edtica \u00e9 um estorvo, as metas estrat\u00e9gicas, em pa\u00eds que renuncia ao seu destino hist\u00f3rico, uma fantasia, administrada pela tecnoburocracia financeira estatal, preparando-se para o grande salto da ger\u00eancia privada.<\/p>\n<p>Se o desemprego e a fome, a inseguran\u00e7a e o caos social s\u00e3o admiss\u00edveis, e s\u00e3o fen\u00f4menos puramente estat\u00edsticos para essa tecnoburocracia, enquanto uma reles \u00a0infla\u00e7\u00e3o sazonal \u00e9 inadmiss\u00edvel, aumentar o desemprego \u00e9 a alternativa que retiram de seus manuais mal-traduzidos, o cedi\u00e7o receitu\u00e1rio do monetarismo jur\u00e1ssico que ora destr\u00f3i a Europa. A \u00faltima decis\u00e3o do Copom revela que a cantilena do mercado, tonitroada pelos jornal\u00f5es, voltou a impor-se no BC, quebrando o vi\u00e9s de baixa inaugurado pela presidente Dilma. Sim, a quest\u00e3o \u00e9 um pouco mais profunda. N\u00e3o se trata, apenas, do injustificado aumento de 0,25%, mas do risco de um aumento, que poderia ser epis\u00f3dico, transformar-se em tend\u00eancia, por exig\u00eancia da mesma ideologia que comandou o BC nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Eis o que nos dizem: \u00e9 preciso aumentar os juros, pois \u00e9 preciso diminuir o consumo, o pai e a m\u00e3e da infla\u00e7\u00e3o, e para diminuir o consumo \u00e9 preciso desaquecer o mercado de trabalho. O grande vil\u00e3o desta feita \u00e9 \u2018o crescimento do poder de renda da popula\u00e7\u00e3o\u2019\u00a0pressionando os sal\u00e1rios no setor de servi\u00e7os (J\u00falio Gomes de Almeida, ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda).<\/p>\n<p>Mas, como amaldi\u00e7oar o consumo, se n\u00e3o h\u00e1 excesso de demanda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta, numa economia que no \u00faltimo ano cresceu miser\u00e1vel 0,9%, depois de haver crescido em 2011 apenas 2,7%, abaixo do crescimento m\u00e9dio mundial (de um mundo em crise) de 3,9% em 2011 e 3,12% em 2012?\u00a0 Os\u00a0economistas midi\u00e1ticos que ridicularizam o PIB de 0,9% \u00a0\u2013 por eles chamado de\u00a0 \u2018pibinho\u2019 \u2014 v\u00eam agora nos dizer que a economia precisa ser esfriada! Na verdade, as pitonisas da trag\u00e9dia sempre na esquina se assustam com a perspectiva de o pa\u00eds crescer 3% em 2013, ainda abaixo dos 3,1% previstos (FMI) para o crescimento mundial. Somos o \u00fanico pa\u00eds do mundo que n\u00e3o pode crescer acima de 3% a.a. e ter juros baixos. S\u00f3 os nossos monetaristas est\u00e3o certos, todo o resto do mundo, como os chineses, \u00e9 incompetente. Viva a Espanha, viva Portugal, viva a Gr\u00e9cia, que, a despeito de conviver com a fome de suas crian\u00e7as (The New York Times International Weekly\/FSP, 29.4) anuncia\u00a0 mais 15 mil demiss\u00f5es no servi\u00e7o publico (O Globo\u00a029.4).<\/p>\n<p>L\u00e1, naqueles pa\u00edses, aprofundar a recess\u00e3o \u00e9 o rem\u00e9dio que o FMI receita para a recess\u00e3o, e assim ele caminham num crescendo de pobreza. No Brasil, para combater uma press\u00e3o de demanda que s\u00f3 eles v\u00eaem, os saudosistas do FMI receitam o desemprego (leia-se, a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica). Mas, como falar em press\u00f5es de demanda, se a economia brasileira registra crescimento fraco?<\/p>\n<p>Bem, dir\u00e1 o banqueiro, dizem os jornal\u00f5es, haja ou n\u00e3o excesso de demanda, h\u00e1 infla\u00e7\u00e3o, e se h\u00e1 infla\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso anular a press\u00e3o dos sal\u00e1rios, que crescem mais do que a produtividade.<\/p>\n<p>Agora querem deter o crescimento econ\u00f4mico, m\u00ednimo, repita-se sempre,\u00a0para combater a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas de qual infla\u00e7\u00e3o fala o sistema financeiro, se em nosso pa\u00eds ela est\u00e1 em queda desde o in\u00edcio do ano? \u00c9 s\u00f3 conferir: janeiro, 0,86%; fevereiro, 0,60% e mar\u00e7o, 0,47%. A infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 em queda e a queda \u00e9 tendencial, independentemente do BC. Explica-se: o mundo \u00e9 deflacion\u00e1rio emcommodities; os pre\u00e7os dos alimentos (respons\u00e1veis por 76% da infla\u00e7\u00e3o) come\u00e7am a cair; o governo continuar\u00e1 desonerando produtos, de que resulta a redu\u00e7\u00e3o de custos e dos pre\u00e7os ao consumidor, e permanecer\u00e1 utilizando as importa\u00e7\u00f5es como um regulador de mercado. E com\u00a0 juros mais baixos o governo\u00a0 gasta menos com o pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em artigo recente (\u2018Infla\u00e7\u00e3o\u2019,\u00a0FSP, 25.4.13) Marcelo Miterhof demonstra que nada justifica a recente alta dos juros (que afronta uma das principais conquistas do atual governo) para combater uma infla\u00e7\u00e3o sabidamente irrelevante porque cadente e sazonal, pois decorrente: 1) da queda da safra agr\u00edcola (mais precisamente reduziu-se a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em benef\u00edcio dos produtos export\u00e1veis) associada \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das\u00a0commodities\u00a0agr\u00edcolas no exterior, impactando os pre\u00e7os, sim, mas \u00a0apenas temporariamente; 2) do aumento dos fretes, decorrente principalmente das mudan\u00e7as regulat\u00f3rias de 2012 (restri\u00e7\u00f5es \u00e0 emiss\u00e3o de poluentes dos caminh\u00f5es e limita\u00e7\u00e3o das jornadas dos caminhoneiros); e 3) da desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, positiva para competitividade, e\u00a0 \u2018de efeitos limitados no tempo sobre a infla\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ramaral.org\/?p=4396\">Querem frear o Brasil | Roberto Amaral<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Querem frear o Brasil Postado em mai 3, 2013 em\u00a0http:\/\/www.ramaral.org\/?p=4396 Diz-nos o Sr. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, que\u00a0\u201cA sa\u00edda\u00a0[da \u2018crise\u2019]\u00a0\u00e9 frear a economia. \u00c9 demitir mesmo\u201d.Dizem os \u2018economistas\u2019 midi\u00e1ticos, catados a dedo pelos jornal\u00f5es para confirmarem seus editoriais, que, \u2018com esse n\u00edvel de emprego\u2019 (e a\u00ed repousa o cerne da hist\u00f3ria), a infla\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":3611,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,23,1],"tags":[],"class_list":["post-3608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-academica","category-business","category-mix"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3608"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3608\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3612,"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3608\/revisions\/3612"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paulopedott.com\/paulo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}